Pastagens

Pastagens e Forragens de Qualidade na Alimentação dos Equinos

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Saiba mais sobre este importante aspecto na vida do seu cavalo.
Nos últimos anos, generalizou-se a ideia de que a alimentação animal em pastagens e forragens é indicada para ruminantes - sobretudo em regime extensivo -, e que os concentrados são a base alimentar dos equinos por estes serem monogástricos e que, como tal, não têm a mesma capacidade para aproveitar todo o potencial nutritivo da erva.

Não obstante, apesar de serem monogástricos, os equinos continuam a ser herbívoros, e ao contrário do que se possa pensar, o seu sistema digestivo está preparado para tirar o máximo proveito da erva.

Perante alimentos de menor qualidade (com mais fibra, menos proteína), enquanto os ruminantes aumentam os tempos de digestão e diminuem a capacidade de ingestão, os equinos conseguem aumentar a velocidade do processo digestivo e aumentar a quantidade de alimento ingerida.

Mais, no artigo "Evolução do Cavalo – Perspectiva Gástrica”, publicado no n.º 90 desta revista, o Dr. Manuel Lamas deixa bem patente as implicações que os 50 milhões de anos de evolução tiveram no avalo como herbívoro.

pastagem f6547Nesse artigo, o Dr. Manuel Lamas destaca, inclusivamente, os problemas gástricos que podem advir de uma alimentação baseada em alimentos concentrados com os animais estabulados.
O presente texto propõe uma óptica mais abrangente, deixando para reflexão algumas considerações sobre as vantagens da alimentação dos equinos com base em pastagens e forragens de qualidade.

A vantagem mais interessante na conjuntura atual é indubitavelmente a redução dos custos com a alimentação.
Os alimentos concentrados são normalmente fabricados a partir de cereais como fonte de energia e soja como fonte de proteína.
Estas matérias-primas são commodities cuja formação do preço depende de vários factores, como o preço do petróleo, a procura no mercado mundial e a especulação que hoje rege os mercados financeiros.

Ora, não é espectável que nenhum destes factores volte a ser favorável para a produção de rações a preços competitivos.
Acontece que na Região Mediterrânea temos excelentes condições para produzir nas nossas próprias explorações alimentação animal rica em energia, proteína e com elevada digestibilidade.


Basta para tal semear pastagens e forragens com a composição florística adequada em termos de solo, clima e espécie animal a que se destina.

Normalmente, nas nossas explorações devemos semear pastagens de longa duração em parcelas que não queremos mobilizar todos os anos, e nestas os animais terão alimentação de qualidade durante os períodos de pastoreio; e reservar as terras de sementeira para produzir fenos de qualidade, que são um ótimo suplemento para épocas de menor disponibilidade alimentar e para quando os animais estão encerrados.

As pastagens naturais, compostas por espécies autóctones, são tendencialmente pobres em proteína e ricas em fibra, sendo que a partir de meados da Primavera, a sua qualidade decresce ainda mais, tornando-se difícil a partir desta altura manter os animais sem ajuda de qualquer suplementação.

As misturas de sementes para pastagens e forragens para equinos, apesar de poderem conter mais gramíneas que as misturas para bovinos, deverão ter uma quantidade de leguminosas mínima, que garanta a auto-suficiência em azoto da cultura e os níveis de proteína adequados à alimentação dos equinos.

Concluindo: os equinos são animais de pastagem, contrariar em demasia esta sua natureza pode ter consequências negativas aos mais diferentes níveis (ver na edição 90 o artigo supra-referido), mas sobretudo, pode ter consequências negativas nos resultados economicos desta atividade.

Para além das condições ótimas para a produção de pastagens e forragens de qualidade nas nossas explorações, existem hoje disponíveis um elevado número de espécies e variedades de plantas pratenses e forrageiras que nos permitem adequar estas culturas às nossas explorações e aos nossos objetivos.

Uma dieta baseada em pastagens e forragens de qualidade, onde os alimentos concentrados funcionam como suplemento, para além de vantagens para a saúde qualidade de vida dos animais, pode representar uma poupança significativa, melhorando a rentabilidade desta atividade.


Fonte:
Revista Equitação, n.º 92 de 2011
José Freire